A importância do melhoramento genético de rebanhos leiteiros

Publicado em: 09 de fevereiro, 2021 - por Janaina Campos
melhoramento genético

O melhoramento genético de rebanhos leiteiros é um grande aliado do produtor frente às condições que limitam a criação dos animais. Dessa forma, devem ser traçadas estratégias para que seja possível o correto direcionamento genético dos animais.

Sendo assim, ao longo do texto serão abordadas informações pertinentes para auxiliar o produtor na condução do melhoramento genético em sua propriedade.

O material genético 

O melhoramento genético vai acontecer de maneira eficiente em casos em que pode ser devidamente direcionado, ou seja, em que se conhece a genética que está sendo somada ao rebanho. 

Dessa forma, o material genético pode ser de origem do macho ou da fêmea, desde que testados e identificados como reprodutores superiores. Na maioria dos casos é utilizado o sêmen do touro para essa questão. 

Após a coleta do sêmen, existem quatro possibilidades de uso, sendo elas: inseminação artificial (IA), inseminação artificial em tempo fixo (IATF), transferência de embrião (TE) e fertilização in vitro (FIV). Nas duas últimas técnicas ocorre o uso do material genético também da fêmea e este pode ser adquirido de animais provados ou de fêmeas do próprio rebanho.

Além disso, técnicas de inseminação artificial aceleram o processo do melhoramento genético e reduz os custos de reprodução, uma vez que não é necessário manter um touro na propriedade.

Cruzamento

O melhoramento genético pode acontecer pela reprodução dentro da própria raça ou pelo cruzamento de raças distintas. Cerca de 70% da produção de leite em território nacional tem origem de animais mestiços Holandês-Zebu. Isso acontece porque o cruzamento visa a complementaridade das características raciais e a superioridade da progênie por meio da heterose.

As alternativas de cruzamentos são:

  • Absorção por uma raça: acontece o cruzamento entre animais puros de raças distintas e nas próximas gerações realiza-se o cruzamento com material de origem de animal puro de uma das raças parentais. Nesse caso ocorre o aumento das características de uma raça em detrimento da outra. É uma boa alternativa para propriedades que estão tecnificando e intensificando o manejo.
  • Alternado: cruza-se dois animais puros de raças distintas e posteriormente altera-se entre animais das duas raças parentais. Indicado para pequenos produtores que produzem leite à pasto.
  • Tríplice ou Tricross: utiliza-se de três raças diferentes. Para pecuária leiteira o usual é uma raça zebuína e duas europeias. Consiste no cruzamento de um animal mestiço com uma terceira raça. Por exemplo, cruzamento de um animal Holandês / Zebu com Pardo-suíço.

Sendo assim, por meio do cruzamento é possível aproveitar características positivas em uma raça para melhoria em outra.

Características gerais das principais raças leiteiras

Raças Taurinas

Holandês

  • Alta produção de leite;
  • Na maioria dos casos, não há necessidade do bezerro ao pé para estímulo da descida do leite;
  • Úbere com boa conformação;
  • Baixa rusticidade, ou seja, melhor adaptação em temperaturas amenas;
  • Baixo teor de sólidos no leite;
  • Bezerro macho com baixo valor comercial.

Jersey

  • É precoce em relação à idade reprodutiva;
  • Elevado teor de sólidos no leite;
  • Facilidade no parto;
  • Boa fertilidade;
  • Produção de leite considerada boa;
  • Bezerro macho com baixo valor comercial.

Pardo Suíço

  • Boa produção de sólidos no leite;
  • Rusticidade;
  • Longevidade;
  • Boa fertilidade;
  • Dupla aptidão (carne e leite);
  • Baixa produção

Raças Zebuínas

Gir

  • Rusticidade;
  • Dentre as zebuínas é a raça de melhor desempenho produtivo;
  • Excelente opção para cruzamento com Holandês (Tabela 1), uma vez que por meio desse cruzamento é possível aproveitar a rusticidade do Gir e o potencial produtivo do Holandês;
  • Baixa produção;
  • Baixa persistência em lactação;
  • Necessidade de bezerro ao pé.
cruzamento para formação da raça - melhoramento genético

Guzerá

  • Adaptação;
  • Dupla aptidão;
  • Boa fertilidade.

E então, qual cruzamento utilizar?

Cada raça trará benefícios ao sistema de produção de acordo com as condições de ambiência às quais é exposta. Sendo assim, entender as características de cada raça e também o que a fazenda pode oferecer é imprescindível para o sucesso do melhoramento genético de rebanhos leiteiros. 

É nítido que não existe melhor raça ou melhor cruzamento, existe aquele manejo que melhor se adequa à realidade de cada propriedade. Por isso, é importante entender seu sistema de produção e contar com apoio técnico para obter bons resultados.

Para saber mais sobre a pecuária leiteira acesse e confira todo conteúdo disponibilizado em nossa Comunidade Gado de Leite.

Fonte: Embrapa, Fundação Roge